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LEO CUNHA

 
 
 
 
 
"Num mundo perfeito" 
Texto de Leo Cunha. Ilustr Salmo Dansa. Editora Paulinas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Num mundo perfeito” é um livro que me encantou por diversos aspectos.  O primeiro deles foi o inusitado da história. Não é muito comum escrever uma história quando já se tem as ilustrações e nesse caso tal fato não só foi revelado pelo autor como uma curiosidade como também foi bem sucedido em seu resultado final. O livro traz ilustrações belíssimas com traços referentes a um mundo de magia e encantamento, e o que mais me instigou, foi que o personagem desenhado e criado em uma atmosfera fantástica sentia se incompleto por não ter habilidades de fazer mágicas, um dom que não tinha e que ele julgava ser um artifício fundamental para entreter e encantar pessoas pelo mundo. 
  
 
 
 
 
 
 
Outro aspecto que chamou minha atenção foram as referências discretas feitas em relação ao universo da sétima arte e também a personagens reais importantes que existiram e espalharam magia e encantamento ao mundo pelo menos um século e meio atrás. O interessante foi como o autor criou seu texto afinado com as ilustrações buscando inspiração em fatos, cenas referências do cinema, circo entre outras.
 
 
  

 

 

 

 

 

 

O personagem principal é um garoto sensível e especial que queria ser um mágico e seu nome é George; outro personagem é Tia Paté que queria muito ajudar George, pois achava ele muito talentoso “Imagine você num teatro, num circo, no cinema. Vai ser um baita sucesso!” escreve o autor.

 

  

E ainda surgem dois personagens interessantes: Augusto, filho da tia Paté e Luís, um rapaz alegre e divertido que George conheceu no hospital quando foi visitar seu amigo Augusto que caiu doente. 

Escrever com referências é muito importante, pois podemos colocar em um texto original a expressão de uma simpática homenagem.

O garoto George parece ser uma clara homenagem a um artista francês que viveu entre os séculos dezenove e vinte e que se chamou George Mélies, e que fez uso criativo e original de efeitos fotográficos criando um mundo de magia e ilusionismo, e mesmo tendo tido uma trajetória cheia de altos e baixos escreveu seu nome nos primórdios da sétima arte, primeiro na dos palcos de magia e ilusionismo e depois no cinema. Os nomes de Luís e Augusto deve ser uma homenagem aos irmãos Lumiére, inventores do Cinematógrafo que por algum tempo influenciaram a vida de George Mélies. E por fim a homenagem Cia. Pathé que no início do Século XX acabou tornando-se uma grande produtora de produção de equipamentos e produção cinematográfica, e também cruzou o caminho do grande artista George Mélies.

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

A ilustração da lua e o foguete até os dias de hoje é uma inspiração para muitas histórias tal qual a escrita e ilustrada “Num mundo perfeito”. É um fotograma do filme “Viagem a Lua” (Le Voyage dans la lune), de 1902.

 

 

 

E por fim um último aspecto que chamou a minha atenção foi o que me pareceu uma referência no texto a um grupo intitulado “Doutores da Alegria” que ajudam a levar um pouco de alegria e magia para pessoas doentes internadas em hospitais, crianças em especial.

Léo Cunha descreve em seu texto como o personagem George tentou entreter e divertir as crianças em uma visita ao Hospital: “(...) Plantou uma bananeira, contou dez anedotas, inventou cem brincadeiras, cantarolou mil cantigas que sabia ou que ia inventando e, na falta de tuba, tocou sanfona e flautim”.

 Num mundo perfeito, George estaria feliz, ao sair do hospital. Mas não! Ele saiu casmurro:

-Que pena eu não ser um mágico! Aquelas crianças teriam adorado...”

  

A sensível história escrita por Leo Cunha integra se perfeitamente com as belíssimas ilustrações de Salmo Dansa. O personagem em minha opinião faz uma homenagem a todas as artes: a magia, o circo, as artes plásticas, a interpretação e o cinema.  A arte que costura memórias, com fatos da vida real, anseios e sensibilidade, são elementos explorados neste livro além da solidariedade. Não existe magia maior do que a de podermos passar um pouco de alegria e afeto a quem mais precisa, se todo mundo pudesse, isto sim, seria pra mim um mundo perfeito.

 

 

 

 

(Mercedes Fernandes)

 

 

Fonte: Catálogo do Festival "O cinema Mágico de Georges Mélies"

na Caixa Cultural, RJ, 2011.

 

 

 

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